• Fernando Giannini

Pesquisa mostra que redes sociais atrapalham mais a EAD que problemas de conexão

Entre as atividades realizadas de maneira remota, o estudo deveria ser uma das mais adaptadas à modalidade "à distância", mas, mesmo diante dos avanços tecnológicos e diversas plataformas, novos desafios e necessidades de adequação foram tomando conta cada vez mais do espaço do debate, o que deixa a qualidade do ensino em segundo plano. Já com um ano de pandemia, as salas de aula seguem vazias e as perspectivas com o ensino seguem apegadas à modelos antigos que não cabem na realidade atual.

Ao invés de incentivo à migração para a modalidade EAD, diante da pandemia, os poderes que decidem sobre a educação nos níveis Federal, Estadual e Municipal tem feito a manutenção improvisada do estudo, sempre com planos para um possível retorno às aulas presenciais, sem uma entrega profunda à uma adaptação frente ao distanciamento necessário.


Membro do Conselho Científico da Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED), Luciano Sathler explicou que houve uma aceleração no de migração do presencial para o virtual por conta da pandemia, mas, com a emergência da situação, o EAD não foi disseminado de forma correta, sem a preparação tanto dos estudantes quanto dos professores para o ensino.


No embate entre "retorno às aulas" e "entrega ao EAD", os poderes se chocam com as diferentes realidades sociais. Não dá para mandar todas as crianças para casa, pois muitas não têm a plataforma tecnológica necessária (computadores, smartphones) para acesso do conteúdo, quando há na casa uma conexão de internet.


“Em outras palavras, o design tradicional das relações de ensino-aprendizagem presenciais e a abordagem desumanizante e tecnicista da maioria dos modelos de EAD hoje praticados não nos serve mais nesta época em que imaginação, cuidado e consciência são necessários para resolver os grandes problemas do mundo. Não há melhor momento de mudar isso do que na resposta ainda emergente à pandemia atual”, ressalta Luciano.


Com a nítida ausência do ritmo presencial, professores tentam compensar essa "falta" com uma quantidade maior de trabalhos e provas no virtual.


Tendo em vista que, estudos recentes de 2021 apontaram que crianças apresentam carga viral de coronavírus semelhante à dos adultos, a discussão não se trata sobre "quando as aulas voltarão na pandemia?" e sim "como iremos adaptar as aulas à pandemia?".


Entregues à Comissão de Educação da Câmara, os resultados do estudo coordenado pelo Laboratório de Epidemiologia da Universidade Federal do Espírito Santo, apontam que, segundo a coordenadora Ethel Maciel, o lockdown com escolas fechadas é o meio mais eficiente de conter o avanço da pandemia, afirmou a cientista ao portal UOL.


Dados atualizados em março de 2021 mostram que, após o início da pandemia, o número de matrículas para cursos online subiu em mais de 400% ao redor do mundo, chegando a 95% no Brasil, de acordo com o estudo feito pela Udemy.


Informações Locais


Entre seus leitores, o MS Notícias buscou medir como a população de Campo Grande tem lidado com a modalidade EAD na Capital. Apurada a opinião de mais de 200 pessoas, as respostas foram:


-Quanto à pontualidade para início das aulas

R: 69% disse que sempre se atrasa, enquanto 31% apontou "Jamais" como resposta.


- Sobre a dificuldade de concentração

R: 79% (entre 207 entrevistados) relataram ter muita dificuldade para se concentrar. Apenas 21% sinalizou ter "nenhuma dificuldade".


- Quando questionados sobre problemas de conexão com a internet durante a aula

R: 79% disse enfrentar esses problemas com frequência e 21% alegou nunca sofrer desse mal.


- Quando questionados sobre se acessam as redes sociais durante a aula

R: 86% (entre 186 pessoas) responderam "óbvio que sim", enquanto apenas 14% disse que "jamais" acessam durante a aula EAD.


- Dos entrevistados, 179 foram questionados sobre as dificuldades de ajudar as crianças com as aulas remotas

R: 60% disse que é muito difícil, enquanto 40% respondeu que nunca teve problema.


Diante dessas respostas, Artur Grinder ainda destacou que o: "ensino público estadual oferece apostilas mal elaboradas pelos professores".


OUTROS PROBLEMAS


Claro que passar o dia inteiro mexendo no computador ou celular afeta, não só a saúde física, mas também mental. De acordo com o psicólogo José Geraldo Ferreira, tanto o trabalho quanto o estudo podem ser afetados pela nova rotina. Mesmo se não fosse a pandemia, a sociedade se enveredaria por esses caminhos, tendo em vista o avanço tecnológico. A pergunta não é se o EAD será o futuro da educação e sim, "quando a modalidade EAD será uma realidade acessível para toda a população?".

Fonte: MS Noticias

Autor: Leo Ribeiro

Artigo Original: https://www.msnoticias.com.br/editorias/geral-ms-noticias/pesquisa-mostra-que-redes-socias-atrapalham-mais-o-ead-que-problemas/113365/

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